Guia gratuito · resposta a incidente
Caí no golpe do Pix. O que fazer nas primeiras 2 horas
A ordem dos passos importa mais do que a velocidade de cada um. Se o golpe acabou de acontecer, comece pelo passo 1 e siga a sequência. Não pare para entender o que houve, não procure culpa, não espere o fim do expediente. O dinheiro está se movendo agora.
Se você está no meio disso agora
Pare de ler e ligue para o seu banco pelo número do verso do cartão. Peça o bloqueio da conta e a abertura do MED. Volte aqui depois. Os outros quatro passos podem esperar dez minutos; esse não pode.
Por que a ordem importa
Com liquidação em segundos, vinte e quatro horas por dia, o dinheiro sai da sua conta e, dois minutos depois, já foi dividido em várias transferências menores para contas diferentes — muitas delas contas de laranjas ou abertas com documento roubado. Esse fatiamento tem nome no meio: pulverização. É por isso que a primeira ligação precisa ser para o banco, e não para o golpista, para a família ou para a delegacia.
Vale saber o tamanho realista do que está em jogo. Em 2025, o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central devolveu, em média, 9,3% do valor contestado. Agir rápido e na ordem certa aumenta a sua chance de ficar acima dessa média — não garante recuperação. Qualquer pessoa ou serviço que prometer devolver 100% do seu dinheiro está, muito provavelmente, aplicando um segundo golpe em você.
Os cinco passos, na ordem
-
Ligue para o banco e peça bloqueio e abertura do MED
Pelo número do verso do cartão ou pelo aplicativo — nunca por um número que chegou por mensagem. Diga a frase exata: “fui vítima de fraude, quero bloquear a conta e abrir o Mecanismo Especial de Devolução”. Anote o número de protocolo antes de desligar. Esse passo é o único que pode trazer o dinheiro de volta, e ele tem prazo de validade medido em minutos.
-
Troque as senhas nesta ordem: e-mail, banco, WhatsApp, redes
O e-mail vem primeiro porque é a chave de recuperação de todo o resto — quem controla o seu e-mail redefine a senha de qualquer outro serviço. Se você não tinha verificação em duas etapas, ative agora, durante a troca. Em seguida, encerre as sessões abertas em outros dispositivos, opção disponível nas telas de segurança de todos os serviços grandes.
-
Avise os contatos, se houve sequestro de conta
Por ligação, rede social ou grupo alternativo. Uma mensagem curta basta: minha conta foi invadida, qualquer pedido de dinheiro vindo dela é falso. Esse passo não recupera o seu dinheiro, e evita o prejuízo de outras cinco pessoas.
-
Registre boletim de ocorrência
Presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado, que atende pela internet em quase todo o país. Descreva os fatos com horários e valores, e anexe o que tiver. O boletim é exigido em contestações formais e em ações judiciais, e sem ele o caso não avança.
-
Monte a pasta de provas
Capturas de tela das conversas inteiras, comprovantes das transferências, números de telefone usados, chaves Pix de destino, links recebidos, horários, protocolos de atendimento e nomes dos atendentes. Guarde tudo num só lugar. Quem organiza nas primeiras horas resolve em semanas; quem deixa para depois perde a prova.
Se o celular foi roubado, a sequência muda
Primeiro a operadora, para bloquear a linha e o IMEI, porque é o número que recebe os códigos. Depois o banco. Depois o apagamento remoto pelo “Encontre Meu Dispositivo” ou pelo “Buscar”. Só então as senhas, de outro aparelho. E registre o boletim citando o IMEI.
O que não fazer
Não negocie com o golpista, não avise que descobriu, não peça o dinheiro de volta, não ameace. Qualquer contato sinaliza que ele precisa movimentar o valor imediatamente, e trabalha contra o bloqueio que o seu banco está tentando fazer. Silêncio e velocidade, nessa ordem.
Também não pague nada a ninguém que ofereça “recuperar seu dinheiro mediante taxa”. Perfis assim costumam aparecer em comentários de publicações sobre golpes justamente porque sabem que ali há gente desesperada. É o segundo golpe, aplicado na mesma vítima.
Sobre o MED, em linguagem simples
O Mecanismo Especial de Devolução é o procedimento do Banco Central que permite ao seu banco tentar bloquear e devolver valores transferidos por Pix em situação de fraude. Ele foi reformulado para rastrear contas em cadeia, e não apenas a primeira que recebeu o dinheiro — justamente por causa da pulverização.
Quem abre o pedido é você, pelo seu banco, e quem decide é a instituição que recebeu o valor. Existe prazo para contestar e existem regras sobre o que se enquadra. Confirme sempre as condições vigentes no canal oficial: o Banco Central publica o material oficial sobre o Pix e o MED, e o seu banco é obrigado a informar o procedimento.
Está tudo nesta página, de graça
- A sequência dos cinco passos, na ordem que importa
- A variação para quando o celular foi roubado
- O que não fazer, e por quê
- O que é o MED e qual é a chance real de recuperação
Está no material completo
- O roteiro de resposta rápida: a frase pronta para cada tipo de ligação — falsa central do banco, voz conhecida pedindo Pix, pedido de código por SMS, cobrança de taxa antecipada
- O checklist de uma página para imprimir e deixar ao lado do telefone, com a ordem de emergência no rodapé
- A lista de canais oficiais de denúncia e atendimento, para não precisar procurar no meio do desespero
- Os oito capítulos sobre os golpes que levam até aqui — porque não chegar a precisar deste roteiro é o objetivo
- O Capítulo 16, sobre o que a lei brasileira cobre e o que não cobre
O roteiro completo, impresso, para a hora em que ninguém pensa direito
Esta página cobre a sequência. O guia Blindagem Digital traz o Capítulo 15 inteiro sobre as primeiras duas horas, mais um roteiro avulso em PDF com campo para anotar protocolo, horário e nome do atendente — porque sob pressão ninguém lembra de anotar. Vem junto o checklist de uma página, o passo a passo de verificação em duas etapas e os outros quinze capítulos.
Ver o que está incluso — R$ 27Depois de passar a tempestade
Quando o imediato estiver resolvido, vale fechar as portas que ficaram abertas. As três de maior efeito, em ordem de retorno pelo esforço: ativar a verificação em duas etapas no WhatsApp e no e-mail, ajustar os limites de Pix diário e noturno à sua rotina real, e combinar uma palavra-código presencialmente com a sua família — a defesa que continua funcionando mesmo quando a voz do outro lado é perfeita.
Recursos gratuitos que valem a pena
Registrato (Banco Central) mostra todas as contas e chaves Pix abertas no seu CPF. Celular Seguro (Governo Federal) bloqueia aparelho e apps bancários à distância. Ambos gratuitos, sem relação com este site.